quarta-feira, 18 de abril de 2018

Pianista Angelin Loro recebe a Comenda Porto do Sol.


O professor de música e pianista Angelin Loro recebeu a Comenda Porto do Sol, conferida pela Câmara Municipal de Porto Alegre, nesta terça-feira (17/4) à tarde. O vereador proponente da homenagem e presidente da sessão solene, Airto Ferronato (PSB).
O vereador Airto Ferronato ressaltou os serviços prestados por Loro em 54 anos de produção cultural. Participaram da mesa o vereador Reginaldo Pujol (DEM), o homenageado e sua esposa Marli Braga Bion. Segundo Ferronato, Loro tem um vasto e profícuo trabalho prestado no campo das artes, mais precisamente da música, tendo como ferramenta, a nobreza dos acordes e timbres do piano. Ele é licenciado em música pela UFRGS, sendo pós-graduado em educação especial pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Trajetória
A estreia de Loro como intérprete teve início em 24 de julho de 1963, em apresentação no Teatro Municipal Carlos Gomes, em Blumenau, Santa Catarina, com 17 anos. Em 1966, estreou como solista de orquestra, executando o 3º Concerto de Beethoven, sob a regência do maestro Hans Geyer, da Orquestra de Câmara Municipal de Blumenau. No mesmo ano, apresentou-se no espetáculo “A Véspera Dominical”, em parceria com o mestre Jean Jacques Pagnot à frente da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa). Pablo Komlós, seu maestro titular, entusiasmado, promoveu a memorável “Noite de Beethoven” constando de uma Abertura, o 3º Concerto e a Sinfonia-coral. Em 1981, solou o 5º Concerto de Beethoven, regido por Eleazar de Carvalho, que assumia na ocasião a direção artística da Ospa.
Em 2000, no “Tiyatro” (Fuar Sanat Evi), nos festejos dos 5 mil anos de fundação da cidade de Izmir, na Turquia, realizou dois recitais no Festival Very Special Arts, um dos mais respeitados festivais do mundo. No mesmo ano, foi solista da Orquestra Sinfônica Nacional de Brasília, sob a regência do maestro Sílvio Barbato, na abertura do V Congresso Nacional de Arte-Educação na Escola para Todos e VI Festival de Artes Sem Barreiras, interpretando a Rapsódia in Blue de Gershwin.
Em 2001, executou a mesma obra em parceria com a Ospa, regido pelo maestro Ion Bressan, e deu récita individual em Belém do Pará, a convite do governo daquele Estado. Já em 2008, esteve na província de Santa Fé, Argentina, coordenando estudos sobre a obra “Filosofia da Liberdade”, de Rudolf Steiner, fundador da antroposofia, ciência inspirada na poesia e na obra de Johann Wolfgang von Goethe, ministrou aulas de canto-coral e realizou um recital de piano na cidade de Reconquista.
No ano de 2009 realizou um recital no Centro Cultural de São Paulo, em comemoração aos 200 anos de nascimento de Louis Braille, inventor do sistema de leitura e escrita tiflógrafa em alto relevo, e, concomitantemente, ao bicentenário de falecimento de Joseph Haydn, executando algumas de suas obras. Em novembro de 2010, Angelin Loro voltou a se apresentar com a Ospa, solando a obra de estreia da carreira, sob a regência do maestro Manfredo Schmidt.
Docência
De 2006 a 2009, por acordo com a Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, ministrou aulas de Musicografia – notação musical em Braille – e consultoria a professores de música videntes na Biblioteca Pública do Estado, que passaram a atuar como multiplicadores do ensino musical para cegos e deficientes visuais. Loro integrou o corpo funcional da Secretaria Municipal de Cultura, setor de Música, ministrando oficinas de música para a comunidade, entre outras funções na área cultural. Exerceu magistério estadual em tempo integral até o ano de 1999. No mesmo ano, assumiu docência no magistério municipal, no qual atuou até 2015 como professor de educação musical na Escola Municipal de Ensino Municipal Emílio Meyer, em Porto Alegre, compondo a disciplina de educação artística juntamente com as áreas de desenho, cerâmica e teatro, nos cursos normal, médio e em oficina de música para a comunidade.
A experiência musical do outorgado inclui a atividade de regência de coros, formação de conjuntos vocais e instrumentais, acompanhamento de instrumentistas, cantores, execução de obras sinfônicas e de câmara, aulas de técnica vocal e de canto, ensino de instrumentos, apresentação de projetos didáticos e atuação em congressos e eventos educacionais, inclusive como palestrante.
Agradecimentos
Ao ocupar a tribuna, Angelin Loro apresentou em vídeo alguns trechos de algumas apresentações suas no Brasil. Ele disse que não contava com uma homenagem com a envergadura da Comenda Porto do Sol. “Eu levei um susto”, reconheceu, o outorgado. Ele enalteceu a presença da esposa Marli Bion em sua vida e disse que ela esteve presente em todas as suas realizações. Ele lembrou que chegou a Porto Alegre aos 11 anos de idade, vindo de sua cidade natal, Três de Maio (RS).
“Eu era praticamente analfabeto”, assinalou Loro ao explicar que seu acesso à escolaridade foi conquistado com muita dificuldade por conta da idade avançada, mas sempre tirou notas altas, sendo um aluno com ótimo desempenho. Ressaltou ainda sua religiosidade e espiritualidade como fatores que o ajudaram a alçar voos mais ousados.
Texto:Fernando Cibelli de Castro (reg. prof. 6881)

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